Wednesday, November 02, 2011

Cradle Of Filth - Midian

Cradle tinha uma certa magia. Não era apenas música pesada com requinte, havia, álbum a álbum, a exploração de imaginários (ou cenários) de horror. Se no início havia uma clara aproximação à vertente vampírica do horror, essa mesma vertente começou a desvanecer-se no segundo álbum, Dusk And Her Embrace e no terceiro, por completo, com Cruelty And The Beast. No entanto, ainda havia uma aura de novidade, algo que fazia com que aquele som, aquelas imagens, tivessem um impacto que nenhuma outra banda conseguia ter. É certo que a imagem (conceptual) em Cradle sempre foi muito importante, mas algures no caminho, algo começou a correr mal na fórmula. E é aqui que chegamos a Midian. Pegando no imaginário grotesco de Clive Barker, Midian, (que diga-se de passagem, tem o seu quê de Lovecraft), temos uma espécie de álbum conceptual onde esse mesmo imaginário é rei e senhor, mas como nem tudo se resume à imagem, a música, que é o que importa no final, acaba por soar estéril. Temos riffs, temos brutalidade, temos um solo (e inspirado), temos um conceito lírico muito bem cuidado (e quanto a isso, Cradle ou melhor, Dani Filth, na minha opinião, continua a dar cartas), temos uma formação de luxo, porra, até temos o Doug Bradley (dos filmes Hellraiser, que resultaram directamente do imaginário de Clive Barker) mas… algo falta. Aqui, a banda britânica começa a tornar-se uma paródia deles próprios, tal como os Manowar, banda de quem Dani falava bastante mal no passado.
Não é fácil tentar descobrir a razão por trás deste fenómeno. Poderá ser do mercado que se voltou para outras paragens (além do Black Metal Sinfónico) e o estilo começou a ganhar um certo cansaço. Também poderá ser da própria evolução dos fãs, que cresceram para além da fórmula apresentada e que esperam algo de novo, ou então algo igual aos álbuns que os conquistaram. Também temos as constantes mudanças de formação (que desde a saída de Nick Barker, veio por aí abaixo) mas a verdade é que, aqui, temos Adrian Erlandsson (ex-At The Gates e ex- The Haunted) na bateria, Martin Powell (ex-My Dying Bride) nas teclas e o regresso de Paul A. (o que trouxe uma falsa sensação nostálgica de regresso aos tempos de The Principle Of Evil Made Flesh), ou seja, uma senhora formação, um dream team, digamos assim.
Então… abandonando a busca por um culpado, porque é um exercício cansativo e pouco frutífero, que conclusões podemos chegar? Midian é um bom álbum de Black Metal Sinfónico (embora cada vez tenha menos Black Metal e comece a ser apenas… Metal) mas é uma sombra comparando com os álbuns anteriores, até mesmo com Cruelty And The Beast. Vejo este álbum como a despedida dos Cradle dos velhos fãs para abraçar os novos, um álbum de transição.

1. At the Gates of Midian 02:21
2. Cthulhu Dawn 04:17
3. Saffron's Curse 06:32
4. Death Magick for Adepts 05:54
5. Lord Abortion 06:50
6. Amor e Morte 06:44
7. Creatures That Kissed in Cold Mirrors 03:01
8. Her Ghost in the Fog 06:23
9. Satanic Mantra 00:50
10. Tearing the Veil from Grace 08:13
11. Tortured Soul Asylum 07:54
Duração: 58:58
Music For Nations 2000
Dani Filth - Voz
Paul Allender - Guitarra
Gian Pyres - Guitarra
Robin Graves - Baixo
Martin Powell - Teclados
Adrian Erlandsson - Bateria

Cor: Púrpura

Nota 3

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